JERUZA JESUS DO ROSÁRIO*
jeruzarosario@hotmail.com fones: 71-9941-1046/3453-8916
*Aluna do curso de Mestrado em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB / Campus V.
A Mulher na Pesca na Baía do Iguape/ Bahia e o uso da História Oral
RESUMO
Este trabalho é fruto das pesquisas iniciadas em Março/2007 sobre o cotidiano da mulher pescadora na reserva extrativista (Resex) marinha Baía do Iguape/Bahia localizada no Recôncavo Sul Baiano.
Muitas mulheres lançaram-se na atividade pesqueira, reconhecidamente masculina, pois, sem escolha, teriam que buscar o sustento de alguma forma.
Utilizo a contribuição de informações acerca da mulher pescadora colhidas em conversas informais e entrevistas gravadas com estas mulheres e pessoas outras ligadas ao seu cotidiano.
A compreensão da realidade social impõe que se teorize sobre os processos de construção de experiências e de significados dentro do espaço, já que uma concepção social da cultura torna-se, a partir daí, ferramenta analítica de primeira hora.
PALAVRAS - CHAVE
Mulher pescadora - cotidiano – espaço - cultura
ABSTRACT
This work is fruit of the initiate researches in march of 2007 on the daily of the fisherwoman in the navy extraction reservation Iguape Bay/Bahia. A lot of women throwed themselves in the fishing activity, which is a recognized masculine job, because, without choice, they would have to look for the sustenance in some way.
I use the contribution of informations concerning the fisherwoman obtained in informal conversations and interviews recorded with these women and another people linked to her daily activity. The understanding of the social reality imposes that it is theorized on the processes of experiences construction and of meant inside of the space, since that one social conception of the culture becomes an immediate analytical tool.
KEYWORDS
Fisherwoman - daily lives – space - culture
-INTRODUÇÃO
O meu interesse em trabalhar a mulher pescadora teve início a partir dos estudos com manejo de recursos naturais na Baía do Iguape. Por minha formação em Urbanismo pela Universidade do Estado da Bahia/UNEB e pelos estudos continuados na graduação em Geografia, sempre muito fascinada pela temática ambiental, surgiu a possibilidade de pesquisar a figura da trabalhadora do manguezal, tendo em vista que a mulher se faz produtora do seu espaço e de suas histórias a partir de suas vivências, mas que, ao longo do tempo, enfrenta dificuldades no sentido de dar visibilidade ao seu ofício na produção de alimentos tanto para o sustento próprio e de suas famílias, como para abastecimento do mercado de mariscos, já que a pesca é reconhecidamente uma tarefa masculina.
Este artigo é fruto das pesquisas iniciadas em Março/2007 sobre o cotidiano da mulher pescadora na reserva extrativista (Resex) marinha Baía do Iguape/Bahia localizada no Recôncavo Sul Baiano. Está localizada em pleno rio Paraguaçu justamente onde este rio deixa de correr margeado por montanhas, após passar pelas cidades de Cachoeira e São Félix antes de encontrar a sua foz na Baía de Todos os Santos. Em torno da Baía do Iguape esta localizado a sede do município de Maragogipe e as vilas, Santiago do Iguape, São Francisco do Paraguaçu e Nagé.A Baía do Iguape possui aproximadamente 42.000 habitantes que vivem, basicamente, da pesca artesanal, agricultura do fumo e pequenas agriculturas familiares. Quanto à atividade da pesca, registra-se a existência da Colônia de Pescadores de Maragojipe onde, de um universo de aproximadamente 8.000 pescadores, cerca de 3.500 são associados, entre homens e mulheres, sendo mais de 50% do corpo de associados composto por mulheres.
A metodologia que vem sendo aplicada, além de pesquisa bibliográfica, obtenção de informações gerais em órgãos públicos e do reconhecimento de campo, é o uso das técnicas da história oral através de entrevistas com as pescadoras; estas entrevistas são norteadas por um roteiro onde não são feitas pergunta específicas, mas sim, feitas abordagens sobre o seu cotidiano: a vida na pesca, a vida em família, a relação com o espaço, aspectos culturais, entre outras suscitações que vão ocorrendo no decorrer dos trabalhos.
Nesta conversas, informações valiosas vão sendo levantadas a partir, principalmente, das memórias das vivências e saberes dessas mulheres adquiridos ao longo de suas histórias de vida e antepassados.
-A MULHER PESCADORA: HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
No caso específico das mulheres pescadoras da Baía do Iguape, tem-se exemplos de pessoas ativas, participantes do processo de produção e reprodução social que, ao longo do tempo, para sobreviverem, adequaram-se à necessidade de negociar com situações adversas na necessidade da busca do sustento. Nesta busca, suas vidas foram dando o tom a partir das histórias e memórias que preenchem seus passados. Trago o exemplo de D. Regina, pescadora da Baía do Iguape, nascida no distrito de Baixinha; mulher de 57 anos que em determinada época de sua vida, mudou de Maragojipe para a cidade de Feira de Santana, na tentativa de melhores condições de vida, mas acabou retornando cerca de 5 anos depois. Segundo D. Regina, ela se considera uma pessoa que luta pelo que quer e leva a vida na batalha e que, por isso mesmo, se sente realizada e feliz apesar das dificuldades da lida de ser pescadora.
O cotidiano das pescadoras constitui uma história de resistência e de busca de uma vida melhor para as comunidades em que vivem. A história que se faz perceber a partir das pescadoras ouvidas, se expressa nas lembranças e no conhecimento que possuem sobre a pesca no manguezal repassado de geração em geração. Acredito que isto pode ser pensado conforme a abordagem de Michael Pollak (1992, P. 201): "um femenômeno de projeção ou de identificação com determinado passado, tão forte que podemos falar numa memória quase que herdada."
Estamos impregnados das memórias do que vivemos e do que não vivemos e é a partir de premissas como esta que história oral se desenvolveu, foi retrabalhada e utilizada como tal a partir das décadas de 70 e 80, mas há muito sendo utilizada como mais um modo de se fazer História.
A partir do relatado por D. Benedita, pescadora na qual se percebe os olhos brilharem ao falar sobre o que representa ser pescadora em sua vida, o ofício de ser pescadora, desde moça, representou a possibilidade de ganhar a vida de maneira prazerosa, pois o trabalho que realizava na empresa Suerdieck, fábrica de charutos em qual trabalhou durante a década de 70 em Maragojipe, apesar de ser um dinheiro a mais para as despesas da casa, era garantia somente da carteira de trabalho assinada, do dinheiro certo no final do mês, mas que devia em muito ao ambiente de trabalho em clima de amizade e comunhão encontrado na pesca; vejo que o fato do trabalho na pesca, mesmo que feito de forma individual, desfrutava de momentos partilhados pelas pescadoras no seu cotidiano.
Pollak (1989/3, p. 3) cita Maurice Halbwachs quando este fala da força da memória coletiva, "das funções positivas desempenhadas pela memória comum, a saber, de reforçar a coesão social, não pela coerção, mas pela adesão afetiva ao grupo". Segundo D. Benedita, a esta época, a colônia de pescadores tinha muito pouca representatividade e mulher pescadora não tinha seus direitos trabalhistas salvaguardados; ela ressalta que hoje, apesar de a colônia ainda ter muito o que melhorar, direitos já são uma realidade. Isto fornece indícios de que a mulher pescadora vivencia um momento histórico de tentativa de saída da invisibilidade, colocando em discussão a importância de seu trabalho, da legitimidade e conquista de seus direitos e da necessidade de valorização da mulher trabalhadora do manguezal.
É nas memórias que ideologias vão construindo identidades balisadas por tradições existentes como a pesca. Estas memórias são resgatadas através do trabalho dos grandes escritores, desde sempre, que usaram a oralidade, recurso que precede a escrita como instrumento poderoso pois daí se delineiam o poder da fala, dos quereres e saberes de determinado grupo.
A entrevista com Roquelina, pescadora desde os 10 anos e atual presidente da colônia de pescadores, suscitou possibilidades de verificar como a luta pela sobrevivência constante na vida de pescadora representa dignidade e a afirmação permanente do seu papel de cidadã. É nesta realidade que se constituem ambientes onde os indivíduos são ativos destes processos naturais. Roquelina tem muito clara a consciência de que o seu papel dentro de sua família como mãe representa o fio condutor do modo de viver em seu lar que ela propõe para seus filhos e seu companheiro; ela afirma que vê a mulher pescadora extremamente preparada para conduzir um lar, tendo em vista a labuta diária em administrar as dificuldades diárias da vida no manguezal: o convívio familiar, o crescimento dos filhos, a mãe-pescadora como agente multiplicador de seus saberes e de suas vivências. Percebo que há uma simbiose entre a vida dentro de casa que acaba refletindo o zelo com que trata o manguezal; é como se este e a família representassem fontes de vida que têm impossível dissociação entre si.
Tem-se nesta entrevista, a importância da história registrada de forma oral: traz a possibilidade de perceber o orgulho que parece definir a base de construção de vidas que constituem a dia-a-dia da mulher pescadora.
Ao passo em que entrevisto a trabalhadora do manguezal, experimento o privilégio de ajudar a rememorar o cotidiano destas mulheres que segue imbricado de subjetividade a partir das tantas histórias e memórias com que começo a ter contato nesta minha pesquisa.
-O COTIDIANO: CONTADO E RELEMBRADO
Para falar de cotidiano e memórias trazidos pela mulher pescadora da Baía do Iguape, é conveniente verificar alguns pontos abordados na conversa com D. Edna; 56 anos, pescadora desde os 8, também ex-funcionária da Suerdieck, chamada de "máquina" pelas colegas de profissão na pesca por conta de ser considerada uma pescadora muito ágil e rápida. Relata que muitas vezes, sem ter com o que alimentar sua família, teve que contar com a solidariedade dos vizinhos até que conseguisse vender o marisco. Ela conta que no dia-a-dia da pesca, as dificuldades sempre foram grandes principalmente na época em que seus filhos eram pequenos, mas que mesmo assim, nunca se deixou tomar pela aflição e pela tristeza; chama atenção de que na realização de seu trabalho, sempre está em alegria mesmo com a consciência de que a sua profissão, apesar de ser motivo de orgulho, não é valorizada. A alegria da qual D. Edna fala se expressa pelo modo como vai para o seu trabalho, geralmente acompanhada de suas filhas; ela contou que quando estão no mangue, "qualquer carro de som que passe é motivo para cantar e sambar".
A história oral vale-se dos testemunhos que funcionam a partir do momento em que rastreiam a formação da memória coletiva a partir da infância, geralmente, referenciados na família. As lembranças ocorrem com a composição da memória a partir do coletivo, da família.
Desde a década de 70, faz-se clara a necessidade de busca do passado; até por uma questão de contraponto à modernidade imposta, a reconstrução do passado se faz necessária tornando possível revitalizar o papel da memória que é o de ser um elo: a memória, por ser absoluta, consegue uma determinada pureza em relação à história que é relativa por conta de sofrer influências de aspectos variados o que ocasiona um discurso construído.
Sobre a afirmação da figura da mulher na pesca, em entrevista com Roquelina, já citada anteriormente, esta recorda a discriminação sofrida pelo fato de ser pescadora; conta que muitas pescadoras se envergonham quando estão sujas de lama, ou seja, não "chegam perto das visitas quando tão fumegando a peixe". Ela conta que jamais teve problemas quanto a isso pois tem em mente que é uma cidadã que está ali lutando pela sua sobrevivência e dos seus.
Temos aí o exemplo de como a memória funciona na construção da identidade. Através da sua fala, percebo em Roquelina o desejo de impor a sua condição de pescadora mesmo sabendo que o estar "fumegando a peixe" não fosse a forma mais agradável de se apresentar. As memórias do exemplo de dignidade que ela própria representa para si e para sua família, são trazidas com força suficiente a ponto destes pormenores pouco representarem.
O uso da memória nos remete a perceber o mundo não como um só, como reza o império do presente; a importância das vivências e dos saberes, a exemplo das pescadoras da Baía do Iguape, estão sendo negligenciadas pela velocidade dos acontecimentos dos fatos ditados pela forma moderna de viver. Olga Moraes (1988, p. 16) cita Maria Isaura Queiroz, a qual traz que "o relato oral está, pois, na base da obtenção de toda a sorte de informações e antecede a outras técnicas de obtenção e conservação do saber;" Felizmente, as pescadoras ainda conseguem manter seus ritmos da maré, a exemplo de D. Edna que, segundo ela, apesar das aflições, mantêm seu humor cantando e sambando, conseguindo ainda perceber as várias histórias que povoam o Iguape, a exemplo da lenda da Vovó do Mangue, a qual D. Edna jura ser verdadeira.
Na Baía do Iguape, a Vovó do Mangue traz em si, a leitura da relação do cuidado com o meio, ou seja, zelo com as fontes de sustento de vida: o manguezal. A Vovó do Mangue, conforme as histórias contada pela pescadora, é uma senhora que toma conta do mangue e o protege. Vejo que nesta lenda estão implícitos os saberes e o ensino da arte da pesca para os filhos de maneira zelosa; estes saberes são passados de geração a geração a partir de um retorno contínuo aos elementos que estão na memória coletiva. Vansina (1982, p. 157) afirma que "uma sociedade oral reconhece a fala não apenas como um meio de comunicação diária, mas também com um meio de preservação da sabedoria dos ancestrais, a tradição oral." Tem-se aí uma demonstração de como a sociedade explica-se a si própria, construindo e transmitindo as tradições e, por isso, a necessidade de estar atento aos modos de pensar local para daí analisar o que é observado. Aspectos como as tradições que se manifestam na religiosidade, na música ou lendas populares, desvendam-se como fontes de pesquisa singulares.
A História Oral prima pelo poder da palavra; palavra onde pode ser percebida a natureza dos povos, a essência destes e isto, vejo como a maneira mais competente de guardar suas histórias, suas impressões, seus modos de aprendizado de forma mais honesta possível. Nesta pesquisa que norteia-se pela história oral, proponho verificar o cotidiano da mulher pescadora além do que se ouve, do que conta, do que se sabe em senso comum. Memórias são revolvidas e é necessário estar atento para o que as pessoas querem lembrar e o que não querem. Elementos importantes como o trabalho na pesca como motivo de orgulho, a necessidade subjetiva de realizar a arte da pesca da melhor maneira possível e o amor pela profissão, mesmo com consciência da não valorização de seu ofício, por parte das pescadoras, são pontos de investigação muito instigantes.
-CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta pesquisa do cotidiano da mulher pescadora na Baía do Iguape, a partir da metodologia da história oral, é imprescindível a busca de interlocução com quem estou falando.
Por conta de vivermos um período onde se torna difícil manter a riqueza e a profundidade das tradições, das lendas, do artesanal, enfim, dos saberes de um povo frente ao mundo global, onde a tradição oral já não tem tanto peso, é válido ter em mente a necessidade de relativizar as informações obtidas quando estivermos diante das várias realidades e de constatações surpreendedoras, o que é confirmado por Alistair Thomson (1997, p. 52) quando este diz que "alguns historiadores às vezes não levavam em conta as várias camadas da memória individual e a pluralidade das versões sobre o passado fornecidas por diferentes narradores."
Vemos a hipervalorização da documentação escrita; não tiro o mérito, mas o que as pessoas que constituem o universo de determinada pesquisa têm para falar, neste caso, as pescadoras da Baía do Iguape, não ficam devendo em nada no que tange ao seu valor, até porquê, as histórias no momento em que são contadas pelas pessoas que as vivenciaram, ainda conseguem manter-se livre de interpretações futuras.
Em entrevista com as pecadoras do Iguape, percebo a boa vontade e a quantidade de histórias que estas pessoas têm para contar, constituindo um fluir contínuo de possibilidades de investigações ricas sobre os sujeitos de pesquisa em questão.
A escrita funciona como a fotografia do saber, assim como as artes em geral: música, dança, cinema, teatro, entre outras, e é nela que funciona a principal parte do trabalho em pesquisa, pois é com este instrumento que poderemos fazer de nossos escritos, instrumentos de constatações valiosas para a sociedade em que vivemos, mas para isso, devemos encarar esta tarefa da maneira mais honesta possível, pois estaremos, permeando inúmeras memórias, histórias de vidas que nos são abertas, muitas vezes, sem alguma pretensão e que nos chegarão, em muitos casos, na forma de fatos que por nós, serão interpretados, bem ou não e é onde temos a nossa maior responsabilidade.
A atividade do pesquisador que se utiliza de história oral deve ter a sensibilidade em perceber a importância que constitui a recuperação das memórias pois, se não, estas morrem. Como pesquisadora, proponho o desenvolvimento da arte do escutar, da paciência e enxergar a mulher pescadora de maneira não homogeneizadora, pois é dali, das conversas com o universo destas mulheres, cada uma, um pensamento a cada jeito, à maneira como podem ser, de onde flui a essência e a honestidade deste estudo.
-REFERÊNCIAS
-ORAIS
Benedita Souza de Oliveira, 59 anos. Pecadora. Entrevista cedida a Jeruza Rosário em 05/07/2007.
Edna da Conceição dos Santos, 59 anos. Pecadora. Entrevista cedida a Jeruza Rosário em 05/07/2007.
Regina Célia dos Santos, 57 anos. Pecadora. Entrevista cedida a Jeruza Rosário em 05/07/2007.
Roquelina Souza de Almeida, 43 anos. Pecadora. Entrevista cedida a Jeruza Rosário em 06/07/2007.
-BIBLIOGRÁFICAS
QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. Relatos orais: do "indizível ao dizível; In. SIMSON, Olga Moraes von (org.). Experimentos com histórias de vida. São Paulo: Vértice/ Editora Revista dos Tribunais, 1988. P.16.
POLLAK, Michael. Memória e identidade social. In: Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol.5, nº 10, CPDOC, 1992.
POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, CPDOC/FGV, São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, Vértice, 1989/3. P. 3.
THOMSON, Alistair. Recompondo a memória: questões sobre a relação entre a História Oral e as memórias. Ética e História Oral. Projeto História nº 15, Revista do programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História – PUC/SP. São Paulo, Abril de 1997.
VANSINA, Jan. A tradição oral e sua metodologia. KI-ZERBO, J. (org.) História Geral da África. Metodologia e pré-história. Vol. I, São Paulo: Ática/Unesco, 1982. P. 157.